Thunder Force VI

Review: Bored_Cyrus | Data: 04/03/2012

Ficha
Plataforma Adaptações/Outras versões Data de Lançamento
PlayStation 2 30/10/2008
Desenvolvimento Publicação Classificação
Sega Sega (Japão) Visão Lateral / Rolagem Horizontal
Multiplayer: Não.
Review

Muitos dos jogadores que cresceram com o Mega Drive (ou Sega Genesis) certamente guardam boas memórias relacionadas ao nome Thunder Force. Depois de um modesto começo com dois games lançados para microcomputadores japoneses, um deles com port para o Mega Drive, a série atingiu seu pico com os inesquecíveis Thunder Force III (1991) e Thunder Force IV (1992), que ainda hoje podem ser apreciados como shoot-em-ups horizontais diretos, rápidos e excitantes, servidos por trilhas sonoras e trabalhos gráficos de primeira linha.

Passados alguns bons cinco anos, a série fez em Thunder Force V o desconfortável salto para a “era 3D”, com versões para Sega Saturn e Playstation. Apesar do tridimensional do game parecer hoje um pouco desengonçado, ainda mais em comparação aos ricos visuais de seus antecessores, Thunder Force V apontava para um possível futuro em que a série – relíquia de um passado quase distante em que sprites simplesmente atiravam gomos de um lado ao outro da tela – pudesse continuar existindo na forma de bilhões de polígonos processados em tempo real.

De Thunder Force V a Thunder Force VI, foi uma tortuosa jornada. Por volta da virada do milênio, surgiram rumores de um novo Thunder Force para o Dreamcast, alimentados por uma suposta sequência de vídeo que formaria a introdução do jogo. Como se sabe, nada realmente saiu do papel e, em 2001, a Technosoft acabou incorporada a uma empresa de fabricação de pachinkos, um triste destino repetido por vários dos estúdios de desenvolvimento da época.

A vontade de dar continuidade à série, de alguma forma, permaneceu. Elementos de Thunder Force foram brevemente parodiados em Segagaga, um curioso game da Sega que, em si, é um comentário bem-humorado do próprio fracasso comercial do Dreamcast. Não por acaso, Tez Okano, o excêntrico diretor de Segagaga, eventualmente tornaria-se responsável pela produção de Thunder Force VI.

Pela primeira metade da década de 2000, várias das músicas que teriam sido compostas para um eventual Thunder Force VI começaram a circular em álbuns de trilha sonora. A ação mais concreta para a criação, de fato, de um novo Thunder Force veio do grupo de desenvolvimento independente (ou doujin) Factory Noise & A.G, que lançou, em 2007, o game Broken Thunder. O jogo foi tremendamente mal-recebido e logo retirado de comercialização. Apesar do game ter sido lançado, admitidamente, como uma versão semi-acabada, a trilha sonora do jogo foi de fato composta por um dos ex-artistas da Technosoft – possivelmente o pior caso de desperdício musical da História.

Eventualmente, as coisas caminhariam para uma conclusão favorável. A licença para produção de um novo Thunder Force acabou chegando às mãos da Sega, que, ao final de 2008, discretamente lançou Thunder Force VI para o Playstation 2, exclusivamente em território japonês. É claro, Thunder Force VI é um revival modesto, produzido para um console já no final de sua “vida comercial” e quase que exclusivamente para a satisfação de fãs de longa data.

O jogo mantém a mecânica tradicional da série: sua nave tem um arsenal de cinco armas diferentes, que podem ser alteradas a qualquer momento. É possível também aumentar ou diminuir sua velocidade, conforme requerir a situação. Vale notar que tudo isso requer um número de botões um pouco maior do que a média para um shoot-em-up (dois para aumentar/diminuir velocidade e dois para trocar as armas) e é possível que você ache a configuração padrão dos botões um pouco confusa e contra-intuitiva. Felizmente, isso pode ser ajustado a gosto do jogador.

Ao redor de sua nave, giram dois dispositivos conhecidos como CRAW, que basicamente funcionam como auxiliares a seu poder de fogo. Destruindo alguns inimigos, você absorve esferas luminosas verdes que preenchem um máximo de seis barras de Over Weapon, localizadas na extremidade inferior esquerda da tela. Usando o botão de Over Weapon, você lança um ataque especial extremamente poderoso, que varia conforme a arma selecionada no momento e esvazia apenas uma das barras. Além disso, é possível coletar itens de Shield, que funciona como um escudo capaz de protegê-lo por alguns ataques.

Thunder Force VI traz uma nova nave como estrela principal do jogo: RVR-00 Phoenix. Ele tem algumas propriedades diferente das naves dos games anteriores. A principal é que ele já começa com todas as armas habilitadas logo no começo. Caso você perca uma vida, nem os seus CRAW nem sua arma equipada atualmente serão perdidos, o que é bastante conveniente. É possível liberar, ainda, mais duas naves: o Fire Leo-04C Rynex-R, uma variação da nave de Thunder Force IV, e o Syrinx, uma variação do RVR-00 Phoenix.

O Fire Leo-04C Rynex-R proporciona um jogo bem mais interessante e mais parecido com os Thunder Force clássicos: além da variedade própria de armas, você tem por padrão apenas as duas primeiras, Twin Shot e Back Shot, e precisa coletar as demais durante os estágios. Os CRAW também precisam ser coletados. Em caso de morte, a arma atual (com exceção do Twin Shot e o Back Shot) será perdida, juntamente com o os CRAW, e precisarão ser coletados novamente.

É um shoot-em-up curto, com seis estágios e sem muita substância. Thunder Force VI pode ser culpado por excesso de reciclagem. A inspiração necessária para a criação de estágios realmente interessantes acabou ficando pela metade do caminho. Se a primeira impressão é a que vale, então Thunder Force VI não começa lá essas coisas: os três primeiros estágios (cuja ordem de sequência, continuando a tradição da série, você escolhe logo antes de começar o game) são medíocres e soam como fotocópias de estágios antigos dos games anteriores. Uma coisa é colocar uma referência aqui e acolá para estabelecer uma relação mais próxima com fãs mais antigos da série. Mas quando grande parte do game é baseado em samples, então talvez fosse melhor trocar o título para “Best of Thunder Force” ou coisa assim…

De qualquer maneira, vale mencionar um momento em particular do jogo: no final do quinto estágio, você é lançado em uma série de embates contra quatro chefes seguidos, que, por sinal, são cópias gigantes de outros modelos da série. Até aí, nada de novo – ei, os boss rushes de Gradius são mil vezes piores. Só que eles não simplesmente aparecem na sua frente, mas se “montam” durante uma sequência de transformação espetacular e totalmente desnecessária, remanescente daquelas doideiras típicas de séries japonesas do gênero Tokusatsu! OK, não acredito que estou fazendo esse tipo de referência. Hoje a cena tem um efeito mais cômico, mas se o game tivesse sido mesmo lançado para o Dreamcast há uns dez anos atrás, eu teria achado sensacional…

Thunder Force VI é bastante “ajustável”: é possível escolher entre cinco níveis diferentes (Kids, Easy, Normal, Hard e Maniac) e configurar o número de vidas para cada continue. Se por um lado isso facilita a jogadores mais novatos chegar ao final do jogo, também significa que veteranos podem se decepcionar com o excesso de “colheres-de-chá” que o game oferece. A possibilidade de abusar dos Over Weapons torna a maioria das batalhas contra chefes, pelo menos na dificuldade Normal ou inferiores, em um passeio de carrossel. Diga-se de passagem, usar a Thunder Sword do Rynex-R (ativando o Over Weapon correspondente à arma Twin Shot) contra chefes é como atirar com uma bazuca contra um castelo de cartas: é simplesmente covardia. Isso não quer dizer, entretanto, que Thunder Force VI não possa oferecer um desafio interessante: experimente as dificuldades Hard ou Maniac, sem usar Over Weapons ou continues.

Thunder Force VI pode não ser bem o tipo de shoot-em-up que se jogue por pontuação, mas há algumas possibilidades nesse sentido. Alguns inimigos dão mais pontos conforme o tempo que você demorar para destrui-los, incluindo chefes. Isso é representado por um multiplicador que pode chegar a 16x. Quanto menor o tempo gasto maior o multiplicador. Entretanto, o jogo não permite que você registre seu placar caso você use continues ou configure o número de vidas para mais que três.

Se Thunder Force III e Thunder Force IV eram caracterizados por visuais sensacionais, o mesmo não pode realmente ser dito de Thunder Force VI. Ainda assim, o game apresenta um trabalho gráfico competente, que pelo menos mostra uma paleta de cores mais variada e atraente que o “acinzentado” de Thunder Force V. O problema fica por conta dos vários dos cenários, que são bem sem graça e parecem jogados aleatoriamente. Os modelos dos inimigos também são bem genéricos e não impressionam, apesar dos chefes, é claro, mostrarem um trabalho bem mais detalhado e bem-acabado. Aliás, espere para ver o chefe final, uma das abominações mais repulsivas a agraciar os videogames nos últimos anos, de deixar no chinelo Dead Space e afins. Não vou fazer spoilers aqui ou nas screenshots abaixo, mas, oh meu deus, tem algumas coisas que é melhor deixar só nas capas de álbuns de Death Metal

Nas memórias de fãs de Thunder Force, a série ficou marcada por trilhas sonoras excitantes, com algumas faixas fortemente inspiradas em Heavy Metal. Eram componentes essenciais para a descarga de adrenalina que os jogos proporcionavam. São exemplos clássicos de “música de videogame”, antes do uso de formatos de áudio em alta definição. Sem este molho especial, Thunder Force não é realmente Thunder Force. Thunder Force VI tem seus bons momentos sonoros (a cena de “transformação” citada anteriormente sendo uma delas) e até mesmo reutiliza algumas das músicas antigas da série, mas o esforço, novamente, fica na metade do caminho. É uma pena que a trilha sonora de Broken Thunder, citado no começo deste review, não tenha sido utilizada em Thunder Force VI, porque ela é absolutamente sensacional.

Curiosamente, Thunderforce VI faz uso de linguagens asiáticas (que não o japonês, é claro) na tentativa de criar um clima um pouco mais interessante. Por essa razão, a Galaxy Federation (os mocinhos) fala no idioma Tangut, que de fato existiu e agora se encontra extinto. O ORN Empire (os vilões) se comunica na língua mongol. Infelizmente, as vozes são um pouco irritantes e a tentativa de dar um ar exótico ao game soa artificial e fora de lugar, considerando que Thunder Force VI se limita a usar os clichês visuais de shoot-em-up mais manjados do mundo: robôs, naves, espaço e alienígenas.

No mais, Thunder Force VI não agrega muito valor a uma série que já contava com alguns títulos excelentes. É um game que fica bem melhor se entendido como uma homenagem ou atualização mais do que um título original e que, de qualquer modo, é bastante acessível mesmo para jogadores menos familiarizados com o gênero. Sentir-se no controle de sua nave, usando toda a variedade de armas disponíveis para dar cabo de seus pobres inimigos, continua sendo uma experiência satisfatória como sempre. Curiosamente, na época de seu lançamento, Thunder Force VI foi anunciado como primeiro de um possível revival de séries antigas de shoot-em-up da Sega. Os clássicos Space Harrier e Fantasy Zone foram citados como candidatos para eventuais novos projetos, dependendo, é claro, do sucesso comercial de Thunder Force VI. Bem, já se passaram quatro anos, e pelo andar da carruagem…

Avaliação
Estrela CheiaEstrela CheiaEstrela CheiaMeia EstrelaEstrela Vazia
Screenshots

Dicas / Segredos
Finais
Final Como conseguir?
Ruim Termine o jogo na dificuldade Kids ou Easy.
Normal #1 Termine o jogo na dificuldade Normal, Hard ou Maniac usando a nave Phoenix.
Normal #2 Termine o jogo na dificuldade Normal usando a nave Rynex-R ou Syrinx.
Bom Termine o jogo na dificuldade Hard ou Maniac usando a nave Rynex-R ou Syrinx.
Naves destraváveis
Nave Como conseguir?
Rynex-R Termine o jogo em qualquer dificuldade usando a nave Phoenix.
Syrinx Termine o jogo na dificuldade Normal usando a nave Rynex-R.
Modos e opções destraváveis
Modo/opção Como conseguir?
Time Attack Termine o jogo na dificuldade Hard.
Time Attack Ranking Termine o modo Time Attack.
Neo Style Termine o modo Time Attack em qualquer dificuldade.
Neo Style Ranking Termine o modo Neo Style.
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2 comentários

  1. helinux says:

    clássico!!!! considero talvez a melhor série de jogo navinda da vida!!!!! bons tempos de mega drive (thunder force III) e thunder force V,,,,que considero os melhores da saga!!!!! show!!!!!

  2. helison says:

    bons tempos…atualmente voltei a jogar esse clássico!!!! recomendo!

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